Angelo Oswaldo defende educação “cívico-militante” e é rebatido por Mateus Simões em cerimônia da Medalha da Inconfidência
A cerimônia da Medalha da Inconfidência, realizada hoje, 21, em Ouro Preto, ganhou contornos políticos após um embate público entre o prefeito Angelo Oswaldo e o governador de Minas Gerais, Mateus Simões. No centro da discussão, o modelo de educação defendido pelo governador e o papel das instituições no ambiente democrático.

Após à solenidade militar na praça Tiradentes o evento continuou no Centro de Convenções da UFOP com a entrega da Medalha da Inconfidência aos agraciados. Primeiro a discursar, Angelo Oswaldo fez uma fala marcada por referências históricas e pela valorização da educação como instrumento de formação cidadã. Ao evocar o legado de Tiradentes e nomes como Juscelino Kubitschek e Rui Barbosa, o prefeito defendeu uma proposta que chamou de “escola cívico-militante, não militarista”, destacando a importância de uma educação pautada na lucidez, na transparência e nos princípios democráticos.
Segundo o prefeito, o ambiente simbólico de Ouro Preto — com destaque para o Museu da Inconfidência — representa uma referência histórica de formação cidadã, capaz de inspirar um modelo educacional comprometido com valores republicanos e participação ativa da sociedade.
A fala ocorreu em meio ao debate sobre a adoção de escolas cívico-militares, política defendida pelo governador Mateus Simões e pelo ex-governador Romeu Zema, ambos presentes na solenidade.
Na sequência, ao encerrar os discursos, Mateus Simões reagiu de forma contundente. O governador classificou a fala do prefeito como inadequada ao contexto da cerimônia e afirmou que o evento não deveria ser espaço para críticas às instituições. Em tom elevado, pediu que militares homenageados se levantassem para aplausos e declarou: “Se há quem tenha vergonha do militarismo, essa casa não o tem”, defendendo respeito às Forças Armadas e às tradições cívico-militares associadas à data.
Simões também criticou o que chamou de “descortesia” por parte dos anfitriões e afirmou que o momento teria sido indevidamente politizado.
A repercussão foi imediata. Em resposta, Angelo Oswaldo publicou um reels de repulsa em suas redes sociais, contestando a interpretação do governador. O prefeito classificou a reação como arbitrária e reafirmou que sua fala não teve caráter de ataque, mas de defesa de um modelo educacional alinhado aos princípios democráticos e históricos da República. https://www.instagram.com/reel/DXZooGiABv5/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
Ao todo, 171 personalidades e instituições foram escolhidas pelo Governo de Minas Gerais para receber a honraria, incluindo nomes como Tarcísio de Freitas, agraciado com o Grande Colar da Inconfidência.
A cerimônia também foi marcada por ausências notadas de artistas previamente anunciados, como Gusttavo Lima, Paula Fernandes, Samuel Rosa, Débora Falabella e Hulk, entre outros.
A solenidade seguiu o formato como nos anos anteriores, limitando o público na Praça Tiradentes. O acesso popular foi restrito por um rigoroso esquema de segurança, com comércio fechado no entorno, ruas interditadas e participação concentrada em convidados, mantendo o caráter fechado do evento.

O episódio evidenciou o tensionamento político em torno da pauta educacional e marcou a cerimônia deste ano, tradicionalmente voltada à celebração da memória de Tiradentes e à entrega de honrarias. A irritação do governador durante a resposta ao discurso do prefeito de Ouro Preto, jornalista Angelo Oswaldo evidenciou visões distintas sobre o papel da educação cívica e o lugar das instituições militares no debate público contemporâneo.











