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Arte: TerritorioPress/MariléiaMarques

Qualidade de vida divide Região dos Inconfidentes: Itabirito supera Mariana e Ouro Preto no IPS 2026

Ranking nacional mostra avanço de Itabirito em saneamento e infraestrutura, enquanto Mariana e Ouro Preto enfrentam desafios urbanos e sociais

O novo levantamento do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia em parceria com organizações nacionais e internacionais, voltou a expor um retrato preocupante das desigualdades sociais no país. O estudo avalia os 5.570 municípios brasileiros a partir de indicadores ligados à qualidade de vida, saneamento, educação, segurança, inclusão e oportunidades.

Pelo terceiro ano consecutivo, a pequena cidade de Gavião Peixoto apareceu na liderança nacional, com 73,10 pontos em uma escala de 0 a 100. Na outra ponta está Uiramutã, com apenas 42,44 pontos.

O estudo mostra que o abismo regional permanece evidente: 19 das 20 cidades mais bem colocadas estão no Sul e Sudeste, enquanto 18 das 20 piores posições pertencem ao Norte e Nordeste.

Diferentemente do PIB, que mede apenas a riqueza produzida, o IPS avalia se essa riqueza realmente se transforma em qualidade de vida para a população. O índice utiliza 57 indicadores sociais e ambientais obtidos em bases públicas como IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas.

Segundo Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, a proposta é medir os impactos reais dos investimentos públicos na vida das pessoas.

Itabirito lidera entre as cidades da Região dos Inconfidentes

Entre os municípios mineiros analisados no Índice, a reportagem do Território Notícias chegou a conclusão que Itabirito aparece melhor posicionada que Mariana e Ouro Preto no IPS Brasil 2026.

O desempenho reforça uma mudança gradual no equilíbrio regional. Tradicionalmente reconhecidas pelo patrimônio histórico e pela força turística, Mariana e Ouro Preto agora enfrentam desafios estruturais importantes, especialmente nas áreas de saneamento, mobilidade urbana e expansão desordenada.

No comparativo regional, o cenário ficou da seguinte forma:

CidadePosição no IPS Brasil 2026PIB per capitaPrincipal destaque
Itabirito214º nacionalR$ 134,1 milInfraestrutura, mineração e crescimento urbano
Mariana512º nacionalR$ 75,8 milPatrimônio histórico e serviços
Ouro Preto742º nacionalR$ 90,4 milTurismo, universidade e cultura
CidadeIPS 2025IPS 2026Tendência
Itabirito212º nacional*214º nacionalEstabilidade em alto nível regional
Mariana401º nacionalcerca de 512º nacionalQueda no ranking
Ouro PretoS/Dcerca de 742º nacionalPiora relativa no cenário nacional

Com forte arrecadação ligada à mineração e localização estratégica próxima à Região Metropolitana de Belo Horizonte, Itabirito conseguiu transformar parte do crescimento econômico em infraestrutura urbana e melhoria de indicadores sociais.

Já Mariana ainda convive com reflexos estruturais do rompimento da barragem de Fundão, desastre que alterou profundamente a dinâmica econômica e social do município. Apesar disso, a cidade mantém relevância histórica e turística no cenário mineiro.

Ouro Preto, por sua vez, segue como uma das marcas turísticas mais fortes do Brasil, mas enfrenta dificuldades históricas para modernizar infraestrutura sem comprometer áreas tombadas pelo patrimônio cultural.

Ouro Preto continua potência turística de Minas Gerais

Mesmo atrás no ranking de qualidade de vida, Ouro Preto permanece como o principal destino histórico-cultural de Minas Gerais e um dos mais conhecidos do país.

A cidade movimenta anualmente cerca de 500 mil turistas, impulsionando hotéis, restaurantes, bares, comércio e grandes eventos culturais. A presença universitária também fortalece a economia local.

Mariana mantém importância estratégica no turismo religioso e colonial, especialmente pelo conjunto barroco e pela ligação histórica com Ouro Preto.

Enquanto isso, Itabirito vem crescendo no turismo ecológico e gastronômico, explorando trilhas, montanhas e o potencial do Quadrilátero Ferrífero.

Saneamento amplia diferenças entre os municípios

Os dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS/SINISA) e do Instituto Água e Saneamento revelam que o saneamento básico é um dos principais fatores que explicam a diferença de desempenho entre os municípios.

MunicípioÁgua tratadaColeta de esgotoTratamento do esgoto gerado
Itabirito96,4%84,7%66,3%
Marianacerca de 80% a 85%78,3%0,6%
Ouro Preto80,7%70,2%apenas 0,8%

Fonte: (SINISA)

Itabirito apresenta o melhor cenário regional, com índices elevados tanto no abastecimento quanto no tratamento de esgoto. O município consegue tratar quase 94% do esgoto coletado, desempenho considerado acima da média mineira.

Em Mariana, os avanços existem, mas ainda convivem com limitações históricas relacionadas à expansão urbana irregular, distritos afastados e dificuldades operacionais do sistema de abastecimento.

Já Ouro Preto enfrenta o quadro mais crítico. Segundo os dados oficiais, apenas 0,8% do esgoto gerado recebe tratamento adequado. O restante é lançado sem tratamento, agravando impactos ambientais e urbanos.

A topografia complexa, os distritos dispersos e as restrições de intervenções em áreas tombadas aparecem entre os principais obstáculos enfrentados pelo município.

Minas Gerais mantém cidades entre as melhores do Brasil

No cenário estadual, Nova Lima segue entre os municípios brasileiros com melhor qualidade de vida, acompanhada frequentemente por Uberlândia, Poços de Caldas, Juiz de Fora e Varginha.

O levantamento reforça que desenvolvimento econômico isolado não garante qualidade de vida. Municípios que conseguem transformar arrecadação em saneamento, mobilidade, segurança e serviços públicos tendem a subir no ranking nacional.

Resumo regional do IPS 2026

  • Melhor qualidade de vida regional: Itabirito
  • Economia proporcionalmente mais forte: Itabirito
  • Maior potência turística: Ouro Preto
  • Maior marca histórica-cultural: Mariana e Ouro Preto
  • Melhor desempenho em saneamento: Itabirito
  • Cenário sanitário mais preocupante: Ouro Preto

Fontes: IPS Brasil 2026, Imazon, IBGE, SNIS/SINISA, Instituto Água e Saneamento e prefeituras municipais.

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