Mineradora registra melhora expressiva no balanço financeiro, com avanço nas vendas e produção em alta, apesar dos impactos cambiais e dos custos de reparação pelo desastre de Mariana.
Prejuízo menor, mas pressões financeiras persistem
A mineradora Samarco apresentou prejuízo líquido de US$ 1,05 bilhão no terceiro trimestre de 2025, conforme balanço divulgado nesta segunda-feira (10). O resultado, embora ainda negativo, representa redução significativa frente às perdas de US$ 6,44 bilhões registradas no mesmo período de 2024.
Segundo o relatório, o desempenho foi impactado por fatores financeiros externos, como a variação cambial sobre passivos e as despesas relacionadas às obrigações de reparação após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Esses dois fatores somaram US$ 785 milhões em efeitos negativos no resultado final.
⚙️ Produção cresce 64% e atinge melhor marca desde 2020
Mesmo com os desafios financeiros, a Samarco — joint venture da Vale e da BHP — obteve avanços operacionais expressivos. A produção de finos de minério de ferro aumentou 64%, totalizando 4,1 milhões de toneladas, o maior volume desde a retomada das operações em dezembro de 2020.
As vendas de pelotas e finos acompanharam esse crescimento, também somando 4,1 milhões de toneladas, um salto de 108% em comparação ao mesmo período de 2024.
💰 Receita líquida sobe 52% e Ebitda avança 47%
O aumento da produção impulsionou a receita líquida da Samarco, que alcançou US$ 440,2 milhões, alta de 52% em relação ao ano anterior. O Ebitda ajustado também subiu, chegando a US$ 230 milhões, uma melhora de 47%.
Apesar do avanço, o preço médio das pelotas recuou para US$ 120,9 por tonelada, ante US$ 147,5 no terceiro trimestre de 2024. A empresa explicou que o recuo reflete a redução dos prêmios pagos por minérios de alta qualidade, devido à demanda global enfraquecida e à incerteza macroeconômica internacional.
🌍 Mercado afetado por tensões geopolíticas e desaceleração global
No relatório, a mineradora destacou que o mercado internacional de minério de ferro segue sob o impacto de tensões geopolíticas e políticas comerciais protecionistas entre Estados Unidos, China e seus parceiros comerciais.
Essas incertezas têm limitado o crescimento da indústria siderúrgica e pressionado os preços de commodities metálicas.
Durante conferência com investidores, o diretor de Estratégia, Finanças e Suprimentos, Gustavo Selayzim, afirmou que a empresa mantém otimismo em relação ao médio e longo prazo.
“No curto prazo, temos desafios conjunturais, mas no longo prazo mantemos uma visão sólida de que o mercado continuará demandando pelotas de alta qualidade”, destacou o executivo.
🌱 Compromisso com reparação e sustentabilidade
A Samarco segue priorizando a estabilidade financeira e o cumprimento das obrigações de reparação socioambiental nas regiões afetadas pelo desastre de Mariana, além de manter investimentos em eficiência energética e segurança operacional.
A companhia reforçou que sua estratégia está voltada para a recuperação gradual e o crescimento sustentável de longo prazo.
📊 Samarco em números – 3º trimestre de 2025
- Prejuízo líquido: US$ 1,05 bilhão
- Receita líquida: US$ 440,2 milhões (+52%)
- Ebitda ajustado: US$ 230 milhões (+47%)
- Produção total: 4,1 milhões de toneladas (+64%)
- Vendas de pelotas e finos: 4,1 milhões de toneladas (+108%)
- Preço médio das pelotas: US$ 120,9/ton (-18%)
- Impactos negativos: variação cambial e despesas com reparação (US$ 785 milhões)
🕰️ Linha do tempo – da tragédia à retomada da Samarco
- 2015: Rompimento da barragem de Fundão causa 19 mortes e graves danos ambientais.
- 2016-2019: Atividades paralisadas por decisões judiciais e foco em reparação.
- 2020: Operações retomadas parcialmente em Minas Gerais e Espírito Santo.
- 2022: Produção alcança 3,2 milhões de toneladas.
- 2024: Prejuízo recorde de US$ 6,44 bilhões.
- 2025: Menor prejuízo desde a retomada e maior volume de produção desde 2020.
Com informações MSN











