Prefeitura e concessionária apresentam versões divergentes sobre manutenção de trecho crítico, enquanto apontam drenagem como principal entrave e defendem atuação conjunta para garantir segurança viária
A concessionária Rota da Liberdade S.A. se manifestou publicamente após declarações do prefeito de Mariana, Juliano Duarte, feitas nas redes sociais no último dia 13 de abril, sobre as condições da rodovia no trecho entre a região da Gameleira até o posto do Raul.
Na ocasião, o gestor municipal afirmou que a Prefeitura precisou executar serviços de tapa-buracos no local, alegando omissão da concessionária na realização dos reparos, situação que, segundo ele, colocava em risco os usuários da via. (Prefeitura de Mariana cobra ação da Rota da Liberdade e assume tapa-buracos em rodovia – link direcionando)
Em resposta, a concessionária informou que o ponto citado é considerado crítico devido ao escoamento contínuo de água, fator que compromete a durabilidade das intervenções no pavimento. De acordo com a empresa, há recorrência de retrabalho na área em função de infiltrações provenientes de drenagem urbana.


“Trata-se de um ponto que está carreando água oriunda de drenagem do município. Já mantivemos contato com a Secretaria de Obras, pois é necessário solucionar essa questão dentro do bairro, que acaba direcionando água para a rodovia. Isso compromete o serviço e exige refazimento”, destacou a concessionária.
A Rota da Liberdade S.A. ressaltou ainda que assumiu oficialmente a concessão em 20 de março e que vem cumprindo o cronograma inicial de obras e serviços previsto em contrato. Segundo a empresa, já foram realizadas ações emergenciais, como reparos no pavimento, roçada, limpeza e melhorias na sinalização viária.
Nota da concessionária na íntegra
“A Rota da Liberdade esclarece que assumiu as obrigações contratuais em 20 de março e está em dia com o cronograma de obras e serviços. Durante esse período inicial de melhorias, a concessionária já tapou cerca de 244 buracos, incluindo o trecho citado pela reportagem. Além da operação tapa-buraco, a empresa executou 103 mil m² de roçada e limpeza, mais 13 mil metros de limpeza de drenagens, recomposição de duas erosões às margens da pista e revitalizou cerca de 108 placas de sinalização, frentes essenciais para dar mais segurança e fluidez para o tráfego.”
Prefeitura de Mariana defende intervenções mais duráveis
Também em nota enviada à redação, a Prefeitura de Mariana informou que reconhece o momento inicial da concessão e os desafios técnicos envolvidos na manutenção de trechos críticos. No entanto, destacou que pontos com histórico recorrente de problemas exigem acompanhamento permanente e soluções mais eficazes.
Segundo o município, mesmo em intervenções emergenciais, é possível adotar metodologias que garantam maior durabilidade e reduzam a reincidência de danos. A gestão municipal citou como exemplo a atuação recente no trecho mencionado, onde, segundo a nota, foram aplicadas soluções com melhor desempenho.


A Prefeitura reforçou ainda a importância da atuação integrada entre o poder público municipal e a concessionária, especialmente na identificação e solução das causas estruturais, como problemas de drenagem, que impactam diretamente a conservação da via.
Leia na íntegra a nota da Prefeitura
Em resposta ao posicionamento apresentado pela concessionária Rota da Liberdade S.A., o Município de Mariana informa que compreende o momento inicial da concessão, assumida em 20 de março, bem como os desafios técnicos envolvidos na manutenção de trechos críticos da rodovia.
No entanto, é importante destacar que pontos com histórico recorrente de problemas, especialmente em vias de acesso contínuo e com grande fluxo de veículos, demandam acompanhamento permanente e intervenções que, ainda que provisórias, apresentem maior durabilidade e eficiência.
Entendemos que fatores como drenagem e infiltrações devem ser considerados na execução dos serviços. Justamente por isso, existem metodologias e técnicas que permitem a realização de intervenções paliativas mais eficazes, capazes de reduzir a reincidência dos danos e garantir maior segurança aos usuários.
Como exemplo, destacamos a atuação recente do Município no trecho mencionado, onde foram aplicadas soluções com melhor desempenho, demonstrando que, mesmo em caráter emergencial, é possível adotar medidas que tragam maior estabilidade ao pavimento.
Reforçamos a importância da atuação integrada entre o Município e a concessionária, especialmente na identificação e solução das causas estruturais dos problemas, garantindo mais segurança, qualidade e durabilidade nas intervenções realizadas na via.
A concessão
Constituída após leilão realizado na B3, em setembro de 2025, a Rota da Liberdade S.A. integra um consórcio formado pelas empresas Metropolitana, Quebec, JCP, Abra, Contorno e Renova.
O contrato, no modelo de Parceria Público-Privada (PPP), prevê a gestão de 190,1 quilômetros de rodovias — incluindo as BR-356, MG-262 e MG-329 — ao longo de 30 anos, abrangendo 11 municípios da região.
Entre as obrigações iniciais estão a recuperação funcional do pavimento, modernização da sinalização, implantação de sistemas de comunicação e a estruturação de serviços operacionais, como atendimento emergencial e monitoramento contínuo das rodovias. A concessionária também informou que a cobrança de pedágio eletrônico está condicionada à conclusão da primeira fase de investimentos.
O caso evidencia a necessidade de integração entre a administração municipal e a concessionária para o enfrentamento de problemas estruturais, garantindo maior durabilidade das intervenções e segurança aos usuários da rodovia.











