Produção audiovisual reúne histórias de dez cozinheiros barra-longuenses, colaborando para a preservação da memória coletiva local
Mais do que pessoas e suas histórias, uma cidade também é feita por sabores e aromas. As vivências partilhadas à mesa e as receitas que atravessam gerações fazem parte da identidade e da cultura de uma comunidade. São esses aspectos retratados na série documental “Sabores de Barra Longa”, disponível no Museu Virtual de Territórios “Caminhos de Memória”.
O projeto nasceu a partir da escuta ativa da comunidade, com o objetivo de valorizar a gastronomia típica local. Em Barra Longa, ao integrar saberes e práticas que expressam modos de vida e vínculos comunitários, a culinária constitui uma referência do patrimônio cultural imaterial do município e revela histórias de subsistências entrelaçadas ao território.
Por meio do registro fotográfico e audiovisual, dez cozinheiros barra-longuenses (oito mulheres e dois homens) partilharam suas experiências relacionadas ao ato de cozinhar: a receita aprendida com a avó, a tradição herdada do pai e o sabor familiar da vida na roça.
As gravações foram realizadas entre julho e agosto de 2025, quando a equipe responsável percorreu o território para ouvir e documentar pratos e afetos que fazem parte da memória coletiva da cidade, contribuindo para sua preservação. Além da série, o material integrará também um catálogo, ainda em produção, sobre o projeto.
Uma das histórias retratadas é a de Janderson Alves Machado, que compartilhou o modo de fazer o “Doce de leite com folhas de laranjeiras”, autêntico de sua família e que simboliza os encontros na cozinha da sua avó paterna. “A receita também tem muito a ver com os ingredientes que temos por aqui. O leite sempre foi abundante na região, meu avô sempre mexeu com gado leiteiro, e a laranja traz esse frescor que remete às frutas do nosso quintal. Mostrar isso foi uma forma de dizer: “olha como a nossa terra é rica”, explica.
Para ele, a produção audiovisual colabora para fortalecer o elo entre o passado e o futuro por meio da culinária e resguarda histórias e memórias que podem se perder ao longo do tempo. “É um ato de resistência cultural, valorização da ancestralidade e projeção de um futuro mais consciente das próprias raízes e origens”, afirma Janderson.
Ao narrar essas vivências, a produção reforça o vínculo da comunidade com o território. “Cozinhar é também uma demonstração de afeto e remete às receitas de famílias e aos sabores dos pratos típicos. Por isso, mais do que valorizar a culinária, a série destaca a importância desse saber como manifestação cultural e identitária local, colaborando para a preservação da memória coletiva da comunidade e seus laços com o território”, ressalta a especialista de planejamento e gestão da Samarco, Andréa Furtado de Almeida.
A série “Sabores de Barra Longa” já está disponível no site “Caminhos da Memória”. Antes do lançamento on-line, a produção foi exibida ao público durante o 3º Festival Gastronômico de Barra Longa, realizado em setembro último. A iniciativa trata-se de uma parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Samarco, e compõe as obrigações do Novo Acordo do Rio Doce, dentre as ações de Transição elencadas no Anexo 19 do respectivo Acordo.










